Bahia

A tradição ancestral da Zambiapunga reúne gerações e fortalece a cultura do Baixo Sul da Bahia

Máscaras, roupas coloridas, dança e instrumentos de percussão marcam os cortejos da Zambiapunga, manifestação cultural de matriz africana que atrav...

29/10/2026 17h39
Por: Redação
Fonte: Secom Bahia
Foto: Fernando Barbosa/Ascom IPAC
Foto: Fernando Barbosa/Ascom IPAC

Máscaras, roupas coloridas, dança e instrumentos de percussão marcam os cortejos da Zambiapunga, manifestação cultural de matriz africana que atravessa gerações no Baixo Sul da Bahia. Em Nilo Peçanha, a tradição faz parte da identidade do município e mobiliza grupos que mantêm os saberes e as práticas ligados à celebração, tradicionalmente realizada na madrugada de 1º de novembro, véspera do Dia de Finados.

Com raízes associadas aos povos bantos, especialmente das regiões do Congo e de Angola, a Zambiapunga reúne máscaras, capacetes ornamentados, indumentárias e instrumentos como enxadas percutidas, caixas, cuícas e búzios. A preparação dos cortejos envolve conhecimentos transmitidos entre os integrantes, da confecção dos figurinos à execução das músicas.

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A Zambiapunga foi reconhecida, em 30 de novembro de 2018, como Patrimônio Imaterial da Bahia, inscrita no Livro do Registro Especial das Expressões Lúdicas e Artísticas do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA).

Reconhecimento fortaleceu a articulação entre os grupos

Para Walmorio San, detentor da manifestação em Nilo Peçanha, a patrimonialização contribuiu para aproximar os grupos e fortalecer a atuação conjunta em defesa da Zambiapunga. “Foi muito importante o reconhecimento da Zambiapunga como patrimônio imaterial do estado. Naquele momento, havia uma separação entre os grupos. Com a patrimonialização, uma coisa importante que aconteceu foi a aproximação dos grupos e o pensamento unificado para que o bem realmente tivesse a finalidade de estar fortalecido”, relata.

Segundo Walmorio, após a assinatura do termo, em 2019, os grupos realizaram o primeiro Encontro de Caretas Zambiapunga do Baixo Sul. A iniciativa chegou à terceira edição, reunindo participantes em torno da manifestação e de sua continuidade.

O trabalho de preservação também envolve crianças e adolescentes. O projeto Agentes Culturais do Zambiapunga Mirim, apoiado pelo Fundo de Cultura da Bahia na modalidade de ações continuadas, promove atividades de educação patrimonial e oficinas relacionadas à manifestação.

As atividades incluem ensinamentos sobre os muquixis, que são as máscaras utilizadas, além da confecção de capacetes e figurinos e outras práticas tradicionais. O objetivo é aproximar os participantes da história da Zambiapunga e incentivar o reconhecimento de seu valor cultural. “Conseguimos manter o amor pelo grupo através das informações. Essas crianças crescem valorizando ainda mais o bem”, afirma Walmorio.

VII Semana de Arte e Cultura Zambiapunga movimenta Nilo Peçanha

A VII Semana de Arte e Cultura Zambiapunga será realizada de 30 de outubro a 1º de novembro de 2026, em Nilo Peçanha. A programação inclui oficinas, atividades literárias, feira de economia solidária, apresentações musicais e cortejos de grupos adultos e mirins.

Entre os destaques estão o cortejo cultural com grupos de diferentes localidades, o desfile oficial da Zambiapunga na madrugada de 1º de novembro e a participação da Zambiapunga Mirim, que leva a manifestação às novas gerações.

Confira a programação da VII Semana de Arte e Cultura Zambiapunga:

Sexta-feira, 30 de outubro

9h: Biblioteca Móvel da Fundação Pedro Calmon, Literatura Cartoneira e projetos culturais ligados à Zambiapunga.

18h: Desfile das Belezas Nilopeçanhenses e abertura da Feira de Economia Solidária, na Praça Osvaldo Cruz.

19h: Apresentação musical.

Sábado, 31 de outubro

15h: Oficinas com a comunidade e visitantes.

17h: Cortejo cultural com grupos de Nilo Peçanha, Cairu, Sergipe, Saubara e outras localidades.

18h: Abertura oficial, com atividades da Feira de Economia Solidária e roda de capoeira.

21h: Apresentação musical.

Domingo, 1º de novembro

3h: Alvorada.

4h: Cortejo oficial da Zambiapunga.

6h: Concurso de máscaras.

7h: Feijoada com samba, na sede do grupo.

18h: Cortejo da Zambiapunga Mirim.

19h: Encerramento musical.

Observação: A Feira de Economia Solidária também integra a programação de domingo, no período da noite.

Fonte: Ascom/IPAC

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